Meu site não vende: as 4 falhas e como saber qual é a sua

Visitante saindo de um site sem preencher o formulário, ilustrando por que meu site não vende

“Meu site não vende.” Por trás dessa frase costumam estar quatro falhas bem diferentes, e o remédio de uma não serve para as outras — às vezes até piora. Se chega gente que nunca ia comprar, redesenhar a home não muda nada. Se ninguém entende em cinco segundos o que você faz, trazer mais visitas só aumenta o número de pessoas que vão embora.

Por isso a primeira tarefa não é consertar. É descobrir qual das quatro é a sua, e isso você faz hoje mesmo, sem esperar por ninguém e sem ferramenta paga. Antes, separe dois problemas que vivem confundidos: não chega ninguém e chegam e não fazem nada. Abra o Google Search Console e olhe os cliques dos últimos 28 dias. Se forem umas poucas dezenas, o seu problema é de visibilidade, e tratei disso em meu site não aparece no Google. Se forem centenas ou milhares e mesmo assim o telefone não toca, o seu site não vende por uma das quatro razões abaixo.

Falha 1: chega gente que nunca ia comprar

Na minha experiência é a mais comum, e a mais frustrante, porque o painel mostra números bonitos. Uma padaria de fermentação natural que escreve sobre “como fazer fermento natural em casa” pode receber milhares de visitas por mês, mas quem digita isso quer aprender a fazer pão — não comprar o seu. Ou seja, o tráfego é real, mas a intenção não bate.

Para checar em dez minutos: no Search Console, vá em Desempenho → Consultas e ordene por cliques. Pegue as vinte primeiras e escreva ao lado de cada uma se quem digitou aquilo quer aprender ou quer contratar. “Como calcular férias proporcionais” é aprender. “Escritório de contabilidade em Campinas” é contratar. Se dezoito das vinte forem do primeiro tipo, você achou a falha, e nenhum ajuste de design vai resolvê-la.

Eu prefiro duzentas visitas de “orçamento de reforma de banheiro em Guimarães” a vinte mil de “ideias para banheiro pequeno”. As duzentas trazem gente com data, medida e dinheiro na cabeça.

Uma ressalva honesta: conteúdo informativo não é lixo. Ele funciona quando o ciclo de compra é longo e existe um caminho da página que ensina até a página que vende. No entanto, o que não funciona é escrever para curiosos e esperar que eles virem clientes sozinhos.

Falha 2: em cinco segundos ninguém entende o que você faz

Primeiro, faça o teste do estranho. Pegue alguém de fora do seu setor — seu cunhado serve —, mostre a home por cinco segundos, feche o notebook e pergunte: o que essa empresa vende, para quem, e qual seria o meu próximo passo. Muitos sites de PME tropeçam já na primeira.

O culpado quase sempre é a frase do topo, escrita para agradar o dono: “Excelência e inovação a serviço do cliente desde 1998.” Isso não diz nada. Compare com: “Cuidamos da contabilidade de restaurantes em Belo Horizonte. Você manda as notas pelo WhatsApp e nós resolvemos o resto.” A segunda é sem graça, e é exatamente por isso que funciona.

Portanto, minha regra: a primeira linha do site diz o que você faz, para quem e onde, nessa ordem. Assim, a criatividade cabe no resto da página, depois que a pessoa já sabe se está no lugar certo.

Falha 3: entendem você, mas não confiam

Neste caso, o visitante entendeu a oferta e ainda assim fecha a aba, porque está calculando risco. Quem é essa gente? Se eu pagar, alguém atende o telefone?

Os sinais que mais faltam nos sites que reviso:

  • Fotos reais. A sua equipe na sua oficina vale mais que qualquer banco de imagens, e o visitante reconhece foto de catálogo na hora.
  • Depoimentos com nome, empresa e resultado concreto. “Excelente atendimento, recomendo” não convence ninguém. Um depoimento útil soa assim: “Reduziram o prazo do nosso fechamento contábil de 15 para 4 dias.”
  • Contato à vista logo no topo: telefone, endereço e o nome de quem vai atender, sem obrigar ninguém a descer até o rodapé.
  • Alguma referência de preço. É a mudança em que eu mais apostaria.

Sobre preço vale explicar, porque quase todo mundo resiste. Quem esconde o preço acha que assim conversa com mais gente. Na prática, atrai curiosos e afasta quem tem orçamento definido e não quer negociar às cegas. “Projetos a partir de R$ 6.000” filtra melhor que um formulário.

Isso não se aplica quando o escopo varia demais — um projeto sob medida não tem preço de tabela. Aí publique a faixa dos últimos projetos, ou o que está incluído em cada nível. O objetivo é que a pessoa saiba se está na sua faixa, e não que ela feche a compra sozinha.

Falha 4: querem falar com você e o caminho está entupido

Antes de qualquer teoria, faça isto: preencha o seu próprio formulário. Do celular, fora do wi-fi do escritório, com um e-mail que não seja o da empresa. Depois confira se a mensagem chegou — na caixa de entrada e no spam.

Já vi formulário mudo por seis meses porque um plugin novo quebrou o envio, e já vi mensagens caindo na caixa de um funcionário que saiu da empresa. Enquanto isso, o dono jurava que “o mercado está parado”. Trinta minutos de teste podem poupar meses de trabalho no problema errado.

Depois, se o formulário funciona, olhe o atrito. Pedir onze campos num pedido de orçamento é um interrogatório: nome, contato e uma linha sobre o que a pessoa precisa bastam para começar a conversa, e o resto você pergunta depois. Ofereça o canal que a pessoa realmente usa — no Brasil e em Portugal, WhatsApp costuma render mais que o formulário. E diga o que acontece depois: “Respondemos em até um dia útil.” Quem não sabe quanto vai esperar desiste.

Refaça o percurso pelo celular. Dá para ler sem ampliar? O botão de contato aparece sem rolar meia página? O menu abre e fecha? Boa parte das visitas de um site de PME chega pelo celular; portanto, um caminho que só funciona no desktop derruba quem já estava decidido a falar com você.

E a velocidade, conta?

Conta, mas raramente é a causa principal quando um site não vende. Funciona como piso mínimo, e piso ninguém elogia.

Um dos parâmetros públicos do Google é o Largest Contentful Paint: para ser considerado bom, o maior elemento visível da página deve carregar em até 2,5 segundos. Duas ressalvas importantes, porque esse número é muito mal citado por aí. Primeiro, ele é medido no percentil 75 dos carregamentos, ou seja, funciona como meta para a maioria das visitas, jamais como cronômetro individual. Segundo, o Google define esse limiar cruzando pesquisa sobre percepção humana com o que sites bem feitos conseguem cumprir na prática; ele não sai de nenhuma curva de abandono real.

Então rode o PageSpeed Insights no endereço do seu site, na aba de celular. Se você estiver em oito segundos, resolva isso antes de tudo. Já em três segundos, ainda não é tecnicamente “bom”, mas quase certamente não é o seu gargalo: a sua falha está nas quatro anteriores.

Se você tem pouco tráfego, os números não vão te dizer nada

Digo isto porque muito conselho de conversão pressupõe um volume que a sua empresa não tem. Com trezentas visitas por mês e dois contatos, nenhum teste A/B vai te dar resposta segura, já que a diferença entre dois e quatro contatos cabe dentro do acaso.

Então ligue para cinco clientes recentes e pergunte duas coisas: o que você procurou antes de nos encontrar, e o que quase te fez desistir de falar com a gente. Cinco conversas de dez minutos revelam o que um mapa de calor não mostra, e costumam apontar para algo fora do seu radar — o preço que ninguém achava, o formulário que pedia CNPJ de um cliente pessoa física.

Por onde eu começaria

  1. Testar o formulário e o WhatsApp. Meia hora, e às vezes explica tudo.
  2. Ler as vinte consultas do Search Console e classificá-las entre aprender e contratar.
  3. Fazer o teste do estranho com duas pessoas de fora do setor.
  4. Reescrever a primeira linha da home: o que, para quem, onde.
  5. Percorrer o site inteiro pelo celular, do primeiro clique até o envio da mensagem.
  6. Publicar três depoimentos com nome e resultado concreto, e uma referência de preço.
  7. Só depois disso mexer em velocidade e design.

Por fim, mude uma coisa de cada vez e anote a data. Quem troca seis elementos no mesmo dia nunca descobre qual deles funcionou.

Perguntas rápidas

Meu site tem visitas e nenhum contato. Por onde começo?

Pelo formulário: teste se ele realmente entrega as mensagens. Depois verifique a intenção das buscas que trazem tráfego, no Search Console. Essas duas checagens custam uma manhã e resolvem boa parte dos casos.

Vale a pena refazer o site do zero?

Na maioria das vezes, não. Clareza da mensagem, provas de confiança e caminho de contato se corrigem no site que você já tem, por uma fração do custo. Refazer se justifica quando o site quebra no celular ou quando a plataforma não é mais mantida.

Como sei se o problema é o meu site ou o meu preço?

Primeiro, olhe onde as conversas morrem. Se ninguém entra em contato, o problema está no site. Se elas escrevem e somem depois do orçamento, o site cumpriu o papel dele: a conversa passou a ser sobre preço e proposta.

E se você não quiser fazer isso sozinho

Faz sentido. Nada disso é difícil, mas tudo exige tempo e um olhar de fora que o dono do negócio raramente consegue ter sobre a própria empresa.

Se o que está em jogo é posicionamento — descobrir o que você faz melhor que os outros e achar as palavras que traduzem isso —, contrate uma agência ou um consultor e pague bem. Esse trabalho é de gente: envolve entrevistar clientes, escutar o que não é dito e tomar decisões difíceis. Ferramenta nenhuma substitui isso, e quem promete o contrário está te vendendo ilusão.

Existe outra camada, porém, que é pura repetição: reparar que o formulário parou de enviar, notar que uma página caiu de posição, atualizar um depoimento antigo, medir quantas visitas viraram contato neste mês. É o que os sete agentes da Hepteon — Estrategista, Conector, Técnico, Redator, Amplificador, de Resultados e Publicador — fazem sem parar. O Técnico percebe o que quebrou. O Redator reescreve a página que ninguém entendeu, e o agente de Resultados diz se a mudança valeu alguma coisa ou se foi tarde perdida.

Portanto, comece pelo formulário: é a checagem mais barata e a que mais vezes derruba a teoria de que o problema era o mercado.

Imagem: “Form Abandonment Concept Illustration”, de Zuko.io Images, via Wikimedia Commons, licenciada sob CC BY 2.0. Imagem redimensionada.

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